Site Lilian Pacce

Doisélles

OUTONO-INVERNO 2017

07.10.2016 – 17:54

Raquell Guimarães tem um trabalho muito bonito: o slow fashion do tricô manual ganha valor na sua marca Doisélles. Uma roupa pode demorar 5 dias pra ser feita – luxo mesmo! Mas o melhor é a história por trás disso: a estilista usa sua produção como processo de reinserção social de presidiários, que ganham dinheiro e aprendem um novo ofício naPenitenciária Professor Ariosvaldo de Campos Pires, emJuiz de Fora. Pra esse desfile de estreia da marca, existem então essas duas necessidades: explicar essa trama por trás da roupa e também apresentar uma imagem de moda na passarela que seja condizente com a postura social dela.

Desde o início da marca, em 2009, Raquell sempre foi um caso à parte, avessa ao chamado “mundinho”. E aqui ela veste as modelos comcoturnões, como se botasse o pé na porta pra conseguir impor o seu lado da história, e pede pro beauty artist Ricardo dos Anjos rabiscar a cara delas como se já avisasse: aqui é outra coisa. Na trilha, que mistura Criolo com textos falados pela própria Raquell, saem recados que respondem a comentários que a estilista já ouviu. A roupa não tem “a energia do crime que o detento cometeu”, por exemplo (e aliás, quem poderia falar algo desse naipe?!). Uma placa pendurada no local de trabalho, aliás, avisa: “O delito fica do lado de fora”. É muito intensa e preciosa a questão que a estilista faz de quebrar o preconceito contra a população carcerária no ambiente elitista de passarela – e dá pra perceber que Raquell não faz isso pela marca simplesmente, mas por eles, pela sua convicção neles.

As peças em si poderiam reafirmar a tendência agênero pela silhueta reta e a introdução da malharia em looks longilíneos (essas são novidades de presidiárias do Complexo Penitenciário Feminino Estevão Pinto), mas o styling de Mary Arantes vai pra outro lugar: a feminilidade é ressaltada com as tramas abertas, as franjas, o toque da ; e ao mesmo tempo discute-se essa dualidade, esse “dois” que está no nome da marca e que também sugere que tudo tem dois lados. É uma apresentação com diversas camadas de significados, assim como a roupa em si.

E até no casting existe uma surpresa: a presença de Marcella Moreira, ganhadora do concurso Miss Prisional (que, sim, escolhe a presa mais bonita do Brasil e que é importante pra autoestima delas). Não se preocupe em reconhecê-la no meio das outras modelos do desfile, primeiro porque vai ser difícil (Marcella tem altura e porte semelhantes aos das colegas de passarela) e segundo porque nesse dia ela foi isso mesmo, mais uma modelo no meio das outras. Dá também pra encarar o fato como uma metáfora pra alteridade, pra empatia, pra conseguir se ver na pele do outro a fim de entendê-lo. Você consegue? (Jorge Wakabara)

TAGS:                                         

Framboises

IMG-20160513-WA0023 IMG-20160516-WA0024

Nosso Trench Coat em pink framboesa, para aquecer de cor os dias outonais.

Para detalhes da peça, escreva pra Dani Farroco no nosso Showroom!!!

Whatsapp: 11 988962525

Email: doiselles.comercial@gmail.com

Fotografia: Dani Petrucci

 

Let’s Dance

IMG-20160522-WA0153 (1)

 

 

 

Sábado é dia de badalar de Doisélles!!!

Maxi regata de tricô e paetês.

Para detalhes da peça, escreva pra Dani Farroco no nosso Showroom!!!

Whatsapp: 11 988962525

Email: doiselles.comercial@gmail.com

Fotografia: Flavio Sampaio

 

Doisélles por Dragão Fashion 2016

7 COISAS QUE VOCÊ PRECISA SABER SOBRE:

DOISÉLLES

Doisélles

POR: IURY FIGUEIREDO | BACKSTAGE: NICOLAS GONDIM

Entre os pontos e nós do tricô de Raquell Guimarães, que assina as peças da marca Doisélles, é contada uma fábula muito bem delimitada em seu desfile para o DFB 2016: a história das ovelhas negras. Levando em conta o trabalho social da marca, pensar nessa temática é refletir sobre o preconceito e a possibilidade de encontrar beleza até na mais bruta das mãos.

Confira 7 curiosidades sobre o desfile da marca Doisélles no DFB 2016:

1 – Raquell Guimarães aprendeu a tricotar com as avós em Minas Gerais. Criou a marca Doisélles, onde coloca na lã e na agulha seus pensamentos e reflexões em um trabalho todo feito à mão.

2 – A marca mineira foi ao Uruguai trazer a coleção que entrega ao DFB 2016, casando com a temática do evento. Logo de início o fashion film anuncia: o tema do desfile são as ovelhas, matéria-prima da lã usada no desfile, mas não qualquer uma. Estamos falando das ovelhas negras.

3 – Os primeiros looks eram claros, usando uma lã mais crua, principalmente no primeiro casaco, com uma textura muito aconchegante. No decorrer do desfile os negros vão entrando em cena, até que as peças, inicialmente tão brandas, tornam-se sóbrias e passam a ideia de tensão.

4 – A lã negra é construída de forma a fugir das texturas aconchegantes que naturalmente associam-se ao material, dividindo espaço com tons avermelhados e fortes, remetendo ao desejo, ao pecado, mas transbordando simplicidade e luxo.

5 – As roupas da Doisélles são feitas por ovelhas negras da sociedade atual: homens de um presídio de segurança máxima ensinados por Raquell a tricotar. A mensagem do desfile é clara: daquelas mãos sempre associadas à brutalidade saem peças belas e sensíveis.

6 – A apresentação foi acompanhada por uma trilha sonora que lembra as músicas clássicas, remetendo ao luxo e ao requinte. Porém, assim como as roupas se transformam no decorrer do desfile, a música vai mudando até tornar-se perturbadora e espalhando tensão pela sala.

7 – Raquell Guimarães, por outro lado, mostrou o oposto ao fim do desfile. Correu com os pés descalços e os braços abertos pela passarela, feliz e orgulhosa pelo seu trabalho, estampando um sorriso não apenas no seu rosto, mas no de todos que foram conquistados por essa alegria.

Para conferir essa matéria acesse o site:
http://dfhouse.com.br/passarela/7-coisas-que-voce-precisa-saber-sobre-doiselles

Art Nouveau Cosmopolita

IMG-20160513-WA0026 IMG-20160516-WA0010

Casaco babados Doisélles: onde quer que vá, de Serra da Saudade à Mumbai, vista-se de arte!!!

Para detalhes da peça, escreva pra Dani Farroco no nosso Showroom!!!

Whatsapp: 11 988962525

Email: doiselles.comercial@gmail.com

 

 

O romance está no ar

13288758_1347344908615171_1434960558_o (1) 13282778_1347327081950287_1743098677_o

Poncho Doisélles feito com Fios Ideal…uma pitada de poesia no seu dia!!!

Para detalhes da peça, escreva pra Dani Farroco no nosso Showroom!!!

Whatsapp: 11 988962525

Email: doiselles.comercial@gmail.com

 

Com vocês, inverno 2016!!!

RELEASE DA COLEÇÃO

Comemorei 30 anos de agulha neste desfile. Com vcs, inverno 2016.

Há quem chame de fuga. Talvez seja. Eu prefiro dizer que é o inverso da fuga, é pura presença. Fugindo eu estava quando vivia na cidade. Aqui no campo não preciso fugir do trânsito, da fila nem da chuva. Aqui no campo é puro estado de presença. Coisas simples, essenciais. Agora me livrei de todos os penduricalhos e me liguei, como nunca, à pura necessidade dos objetos. Se calço uma bota é realmente por causa do barro, da cobra ou do suor do cavalo.

Fiz um ninho para alimentar meu filhotes dentro da natureza. Aqui somos mais humanos, mais selvagens e mais nós mesmos. Nossa casa é um solar centenário, o assoalho range, a água vem aquecida por serpentina direto do fogão à lenha, o pé direito tem 5 metros e o forro do telhado é palha trançada embaixo de telha artesanal.

Um iluminado disse que a simplicidade é o ultimo grau da sofisticação. Adoro isso. Em cima disso criei meu conceito de luxo: autenticidade e despojamento. Despojamento me lembra desapego.

Estar integrado com a natureza significa entender os ciclos, respeitar a ordem das estações e perceber que o apego não faz o menor sentido em um mundo que, por natureza, é constante movimento e mudança. “Não se apegue a está flor”, diz a natureza, “o outono vem aí”, ela conclui.

Mesmo no campo eu continuo preocupada com um design cosmopolita.
A diferença é que agora crio dentro de um paiol transformado em ateliê. Uso menos a internet (tenho o setor comercial em São Paulo para fazer isso por mim) e desenho à beira de um lago, depois teço na velha e boa cadeira de balanço que foi de minha avó.

As peças da Doisélles continuam sendo amplas para que jamais apertem, de textura suave para que envolvam aquecendo e afagando a pele.

Na cartela de cor tem o meu básico: Tricô pra mim é preto, off, mescla, marinho e pink. Em  30 anos de agulha e 10 anos de marca já sei que é isso que funciona. Fica mais fácil comprar o fio, estocar o fio, reaproveitar o fio… Nem imagino qual seja a cor da estação. Quem é o novo preto? Não sei. Talvez isso seja um luxo ou o cúmulo da pobreza fashion, mas sinceramente… Who really cares? Tendência é respeitar o outro e amar o próximo. Quem se lembra do Pacheco que disse que moda deveria ser ajudar os outros? Sonho com o dia em que Pacheco possa vir aqui, tecer ao meu lado, neste paiol. Este dia vai chegar. Que fique registrado.

Aqui em Ipoema, eu assumo de vez meu lado oposto ao fast Fashion. Nunca fui tão slow… O meu tempo é o tempo do boi. Já viu vaca com pressa? Minhas búfalas as vezes até correm, mas é de alegria, igual aos cães, tenho certeza!

Meus gatos caçam. Acho lindo ver seus pulos. Fico por horas só observando o movimento deles nessa natureza toda que parece o começo dos tempos.

Essa coleção veio falar disso. Deste sonho que Elis Regina meteu em mim. Sim, sempre quis uma casa no campo do tamanho ideal pau a pique e sapé.
Vim aqui plantar meus amigos, meus livros discos porque queria ficar do tamanho da paz, compor meus rocks rurais com carneiros e cabras pastando solenemente no jardim.  Sim, eu queria ter somente a certeza, dos amigos do peito e nada mais.

Claro que crio para uma mulher urbana, uma mulher que fui até bem pouco tempo atrás. Assim como você, também morei em edifícios com torres de mais de 20 andares, sorri para a poesia concreta de algumas esquinas, tomei muito metrô, muito avião e muito pó de asfalto misturado com fumaça de óleo diesel. Vi letreiros em néon apelando, piscando e berrando ordens de consumo. Carimbei meu passaporte de Heatrow a Narita. Nada de tão ruim nisso. Pelo contrário.

De volta a Minas, depois de 15 anos vendo tudo que eu precisava ver, amadurecer e entender, chegou para mim a maternidade.

“Eu quero a esperança de óculos
E um filho de cuca legal
Eu quero plantar e colher com a mão
A pimenta e o sal”

Grávida de meu segundo filho e adotando um terceiro, revi o motivo pelo qual as pessoas se sujeitam aos apartamentos, aos carros e às filas de restaurantes, olhando o semblante emburrado e bicudo delas diante de uma tela de celular eu pedi pra sair. Capitão Nascimento, quero sair. Moço da roda gigante, pode parar, vou descer.

Vim embora para Ipoema, vim morar em uma casinha branca com janela de madeira. O ateliê ficou envolto pelo silêncio das línguas cansadas e conheci o prazer diário de colher do pé as frutas do café da manhã, beber água que acabou de brotar.

Meus filhos hoje sabem que a água nasce, a galinha não é azul (como aquela popstar pintadinha que canta), eles conhecem a peppa de verdade e vamos todos pular nas poças de lama após a chuva.

CRÉDITOS FOTOGRAFIAS: ROBERTA BRAGA/SILVIA BORIELLO/RICARDO K.

http://dfhouse.com.br/desfiles/dfb-2016/doiselles

 

rsb9691-1462669277 rsb8970-1462669222 rsb9012-1462669222 rsb9029-1462669222 rsb9173-1462669222 rsb9049-1462669222 rsb9072-1462669222 rsb9215-1462669222 rsb9238-1462669222 rsb9272-1462669222 rsb9595-1462669222 (1) rsb9254-1462669222 rsb9296-1462669222 rsb9315-1462669222 rsb9360-1462669222 rsb9383-1462669222 rsb9529-1462669222 rsb9556-1462669222 rsb9502-1462669222rsb8991-1462669222  rsb9121-1462669222 rsb9448-1462669222 rsb9144-1462669222 rsb9573-1462669222 rsb9338-1462669222 rsb9195-1462669222 rsb9403-1462669222 rsb9424-1462669222

Tardes em São Paulo

Dani Farroco veste casaco resort argento feito com fio correntinha da Fios Ideal!!!

Para mais detalhes, nos escreva para:

Email: doiselles.comercial@gmail.com

Whats App: (11) 988962525

pordanielapetrucci-1022

Fotografia: Daniela Petrucci